IV · o culpado não é o mordomo

30 out

Esta não é apenas uma obra confessional. Além de expor meus próprios pecados, pretendo, perpetrando um crime nada inédito, transformar histórias tolas em narrativas com alguma relevância.

Porém não se limita a essa palermice a presunção.

Eis a novidade: o mundo existe enquanto eu permito que assim seja. Você, leitor, é apenas agora e aqui, nesta narrativa. Você, leitora, poderia provar sua autônoma existência ao interromper a leitura neste exato momento!

Ainda aí?

Assim meus esforços serão facilitados!

Com a destruição da biblioteca de Alexandria, milhares de mundos deixaram de existir, milhões de criaturas deram seu último suspiro, incalculáveis miríades de ideias cessaram de pulsar.

O mundo então foi simplesmente reescrito, reeditado, revisado. A existência foi rearranjada sobre um sem-número de histórias protegidas em outras tantas bibliotecas espalhadas pelo globo.

São os autores que criam a realidade.

Assim, inicia-se a matança. Eu me transformo no mais importante assassino desta história; enquanto vou destruindo regras do escrever apropriado, permito que você, leitor inadvertido, vá matando seu precioso tempo.

Até a chegada inevitável da revelação do desfecho. Até o derradeiro falecimento. Até a última página do livro, a letrinha restante, o ponto final definitivo.

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