Um querer

16 abr

um querer
2013

do que ignora não se deve desejar
o verbo parvo que emocione a alma—
o afeto porém não reconhece diploma
e independe da língua que se escreve

do que tolice espalha não se creem
as asneiras que se desejam loas—
o afeto não almeja os louros
e escarnece da testa envaidecida

de um louco não se aceitam beijos
que joga aos ventos sem destino certo—
o afeto ignora o justo,
o ético e o apropriado

amo o tolo que me beija
entrego-me ao néscio que me emociona
comprazo-me com o ósculo errante
que me acerta, ignorante e pronto

não entenderei das coisas dos mundos
nem perceberei os óbvios que ululam
mas amarei o que não entendo de todo
e me entregarei ao desconhecido ignoto

sem rimas ou metros
sem regras ou medos
apenas, assim, um querer—
um querer

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