an essay on two english speaking writers

7 maio

this post is for those who speak english, especially those interested in literature and literary critique. the essay linked here was published in the 5th issue of yawp, the academic magazine edited by the english section of the literature and letters graduation course at universidade de sao paulo (usp), the essay tries to establish similarities and differences between two short stories, one written by cólm toibin and another by neil gaiman. read it and post your comment (both positive and negative ones would be welcome!)

curso de perspectiva

6 jan

ainda tem vaga pro curso de perspectiva nestas férias de janeiro, lá na quanta academia de artes. tá esperando o quê? vai http://tinyurl.com/384t5qj

cursos de férias de janeiro 2012 na quanta

3 jan

entre os dias 16 e 20 de janeiro de 2012 (feliz ano novo pra vc!), vou ministrar dois cursos de férias na quanta academia de artes. tem muita gente boa apresentando possibilidades de renovação de conhecimentos; pra vc que é de fora, deve ter alguma coisa bacana pra se divertir e aprender um tantim mais.

azia e má digestão?

24 dez

Este texto foi originalmente publicado no portal do Estadão Online, lá pelos idos de 1997, como parte de crônicas que eu chamava de Papo-furado, sempre falando sobre o universo dos quadrinhos e ilustrações. Com a chegada do novo ano, rearrumando as tranqueiras e velharias, me deparei com alguns textos que acredito ainda serem de alguma pertinência.

Prato-feito

Existe um grande monstro. Solta fogo pela boca. Suas garras são poderosas, talões capazes de cortar um ser humano ao meio. Seu brado retumbante pode gelar o sangue do mais corajoso dos mortais.
Existe um grande herói. Um ser gigantesco, capaz das mais incríveis proezas. Suas mãos poderosas são capazes de mover o mundo e afagar com extrema delicadeza. Sua voz gentil pode amolecer o mais endurecido dos corações.
Fazer parte do mundo das Histórias em Quadrinhos é estar sob os olhares desta entidade meio herói, meio monstro.
Existe a indústria das HQs, essa coisa feita de editores, agentes e artistas, eternamente em movimento para levar ao público a melhor opção para investir seu suado dinheirinho. Existem os sonhos, os ideais, a procura da obra perfeita, do aplauso sincero e a eterna busca da fama e da fortuna. Existem os fracassos, os encalhes, os prejuízos, as críticas maldosas, o esquecimento e a miséria.
Existe o mercado das HQs, essa massa que paga para que as engrenagens da indústria continuem azeitadas e sua cota de sonho e de ideias continue a encher suas vidas através do comum, do bizarro e do fantástico, lidando com as alegrias dos títulos pontuais e as frustrações das séries canceladas.
Numa e noutra instância, mitos são erguidos, aos apupos, e derrubados, sob pás de cal.
Num dia, o herói mata o monstro. No outro, o monstro devora o herói.

Gastrite

É isso o que espera aqueles que pretendem embrenhar-se nesse universo, fazer parte das engrenagens dessa máquina quase humana.
O valor do trabalhador, agora, mais do que nunca, é medido por sua capacidade de produzir. E produzir de maneira satisfatória. As mass media correm atrás do dinheiro e contra o tempo. Essa corrida maluca impõe um comportamento, via de regra, mecânico, desumano.
O gibi na banca é apenas a ponta do iceberg, ou melhor, o sorriso do herói. O monstro prefere alimentar-se das almas daqueles diretamente envolvidos na produção dos gibis; editores, agentes e artistas vão se matando (trabalhando feito camelos e distribuindo socos e palavrões entre si) pra manter o herói sorrindo e o monstro de boca fechada.
O público consome, não só o produto do trabalho, mas também, a mítica transformação do sapo em príncipe: os editores ditam moda, os agentes ficam milionários e os artistas viram deuses. A ilusão é perfeita, mas o truque é barato.
O público consome o mito: respira, toca, esfrega, manuseia, aplaude, vaia, xinga, exaure e esquece. O público é também meio herói, meio monstro.
Quantos “quadrinhólatras” são capazes de lembrar de Töpfer, Agostini, Pfeininger, Outcault, McCay, Fredericks, Segar, Foster, Raymond, Colin, Colonese, Shimamoto, Seto, Aizen e tantos outros nomes das HQs mundiais? Lees, McFarlaines, Moores, Gaimans, Chaikins, Millers, Madureiras, Cruzes, Coutinhos, Bás e Moons, Manaras e Portelas, como os mestres, compraram bilhetes de um trem que pode trilhar caminhos distintos; um leva ao Olimpo, onde o herói governa manso e os afaga com carinho; o outro leva à caverna escura onde habita o monstro faminto, repleta de galerias onde os esquecidos se acotovelam, esperando, sem pressa, a hora da refeição da besta.

Antiácidos e digestivos

Que não sejam a fama e a fortuna os principais motivadores daqueles que sonham comprar um bilhete nesse trem. No comboio, há burocratas desalmados, mentirosos renitentes, investidores gananciosos, torturadores sádicos e cleptomaníacos incuráveis. Há, também, ingênuos talentosos, incentivadores isentos, críticos ubíquos, desbravadores destemidos, inventores incansáveis e sonhadores persistentes. Todos importantes na manutenção da existência do monstro e do herói.
Que sejam esses últimos a inspirar mais profundamente os que invadem a estação. Que seja o sonho de transformar a realidade e o pedaço de mundo de cada leitor o fio condutor de sua viagem.
Existe um grande monstro e existe um grande herói. Duas das tantas faces da criatura que costumamos chamar de universo dos quadrinhos.
Que o sonho seja a razão para manter o herói sorrindo, mas se for a sorte de alguns virar banquete do monstro, que o alívio seja a certeza de que os nomes dos sonhadores podem ser esquecidos, seus sonhos, no entanto, enquanto existirem o herói e o monstro, permanecerão.

(Este texto é dedicado aos sonhadores, lembrados e esquecidos, e ao monstro/herói que existe em cada um de nós)

lançamento tueris · primeiras informações

20 dez

pois é. você que acompanhou as aventuras dos moradores do tueris aqui (vai lá nos posts antigos, o livro tá na íntegra por aqui), vai poder guardar em sua estante o livro impresso. a terracota vai publicar o romance e o lançamento acontecerá duas semanas antes de meu aniversário.
algumas curiosidades quanto à data: nasci no dia 25 de fevereiro de 1963, quase 49 anos atrás. as aventuras do tueris acontecem em fevereiro de 1982, pouco antes da copa do mundo, e o lançamento do livro vai ser feito no dia 11 de fevereiro de 2012.
quero você lá. tueris no papel; não perca!

exercício de paixão

9 dez

vinte e seis anos atrás (tenho coisa mais antiga ainda, creia-me), escrevia poemas de tudo que é tipo, forma e cor: rimados e sem rima, com ritmos ligeiros e de pé quebrado. eram poemetos mais tolos do que os que escrevo agora, mas muito mais livres e, talvez, sinceros…

És puro verso que na veia escorre,
Um deus-sorriso que me arde a alma.
Na noite eterna que me esconde a vida,
Lamento a falta de um contato lento;
A voz que escuto não pertence ao vento,
Nem às paredes, a chance perdida.
Tampouco é minha essa cama calma.
Na tua ausência minha vida morre.

um dia cheio dos bons

8 dez

acordei cedo (demais), para dar os últimos toques num ensaio acadêmico que urgia ser entregue pela manhã. entre bocejos e goles de café, o texto escrito em inglês ficou pronto. a impressora, velha cansada de guerra, tendendo a dar engasgadas que elidem linhas inteiras resolveu ser condescendente e realizar seu mister a contento. os bocejos aconpanharam-se de risos tímidos. o café da manhã foi preparado com esmero por minha mãe. saí de casa um tanto atrasado, mas foi chegar ao ponto e o ônibus chegou de imediato. o trajeto foi feito estranhamente rápido. o ensaio, entregue devidamente. almocei bem acompanhado. o peixe vingou-se um pouco em mim, perfurando a gengiva com dois restinhos de costelas afiadas. a tarde abafada emprestou tons acinzentados às nuvens agitadas. a reunião com meu orientador demorou a começar: enquanto esperávamos, pedro e eu, jogamos sinuca na mesinha do centro acadêmico da letras. jogo interrompido pelo professor doutor livre docente que também é amigo e muito querido. reunião promissora e carona até o metrô. surpresa maravilhosa ao chegar em casa: presente de natal de babar enviado pelo gustavo duarte (você é o cara!). cuscuz seco por ceia e lá fomos nós, eu e meu sono, dar aula de inglês. duas aulas que correram muito bem. de volta pra casa, baixei “rio“, o novo cd do keith jarrett. o danado me emocionou até as lágrimas – a obra gravada no teatro municipal do rio, totalmente de improviso, tem até laivos de baião!!!! o dia que parecia não querer acabar terminou lotado de bom tamanho! um bocejo a mais, um viva e a promessa de uma noite pra lá de restauradora…